A pandemia desgraçou a minha pele! Ou fui eu???
Tenho melasma, tenho pele oleosa. São duas situações que não permitem descuidos.
Quando, no dia 24 de março deste ano fiz o meu primeiro turno em enfermaria covid (após um período de quarentena devido a uma profissional infetada), havia muito pouca informação sobre o vírus e sobre como lidar com tudo o que de novo ele nos trouxe. Falo, claro, a nível profissional. A trabalhar em Pneumologia e Infeciologia há 15 anos, a situação de ter um doente em isolamento não era nova para mim.
Mas dentro do conhecido, havia muitas novidades: os doentes evoluem de forma diferente e os 15 anos de experiência pareceram muito pouco. E os equipamentos de proteção individual. Conhecia todos, é certo. Mas não é habitual usar equipamento tão completo (adequa-se sempre à situação) e nem tantas horas seguidas. Por isso, a pele da testa, do nariz e da face deram sinais de não estar bem ao final do segundo turno; dorida, vermelha, a face a descamar em alguns sítios.
Durante a quarentena, fui seguindo o que se lançava de informação para os profissionais. E um serviço de dermatologia do país dizia para usarmos apenas um creme hidratante suave. Éramos bombardeados com a necessidade de hidratar, hidratar, hidratar! E assim fiz: comprei um creme de rosto suave e usava. Não resultou. A descamação só desapareceu com pomadas de farmácia (não posso dizer aqui os nomes, pois são sujeitas a receita médica), a vermelhidão desaparecia nos momentos de repouso e comecei a usar LinoveraⓇ antes de colocar os EPI´s. Os meus sintomas desapareceram, mas tinha surgido um novo hábito: o de não cuidar da minha pele como ela merecia.
E o que ela merecia? Cuidados adequados às necessidades dela, e não adequados a todos os profissionais de saúde do país.
Sim, eu desgracei a minha pele ao abandonar os cuidados que já tinha. Cuidados adequados às suas necessidades.
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